Queda de Cabelo por Perda de Peso com GLP-1 (Mounjaro): o que fazer
Com a popularização dos medicamentos GLP-1, como o Mounjaro (tirzepatida) e o Ozempic (semaglutida), um efeito colateral tem chamado a atenção das dermatologistas: a queda de cabelo. Em geral, pacientes que perdem peso de forma rápida com esses medicamentos relatam aumento significativo na queda dos fios, especialmente entre o terceiro e o sexto mês de uso.
A Dra. Luanna Caires Portela, dermatologista da Clínica Pellier em Brasília, explica o que está acontecendo e quais são as opções de tratamento.
Por que os GLP-1 causam queda de cabelo?
Os medicamentos GLP-1, em si, não agem diretamente no folículo piloso. O que acontece, na verdade, é uma cadeia de eventos:
- Perda de peso rápida: quando o corpo perde peso em velocidade acelerada, ele interpreta essa mudança como um estresse fisiológico.
- Restrição calórica e proteica: a redução do apetite causada pelos GLP-1, frequentemente, resulta em ingestão insuficiente de proteínas, ferro, zinco e vitaminas do complexo B, todos fundamentais para o ciclo do cabelo.
- Eflúvio telógeno: esse estresse metabólico faz com que um número maior de fios entre na fase de repouso (telógeno) ao mesmo tempo. Dois a quatro meses depois, esses fios caem simultaneamente, gerando a sensação de “muita queda”.
O eflúvio telógeno é uma resposta normal do organismo a uma situação de estresse. Por isso, ele é, em geral, reversível.
Como identificar se é eflúvio telógeno
O eflúvio telógeno tem características específicas, tais como:
- Queda difusa (em todo o couro cabeludo, e não em placas)
- Início de 2 a 4 meses após o fator desencadeante (início do GLP-1 ou do emagrecimento acelerado)
- Fios que caem com a raiz (fase telógena)
- Ausência de inflamação ou coceira no couro cabeludo
- Cabelo que, geralmente, volta a crescer após a resolução do fator causador
Por outro lado, se a queda for assimétrica, em placas, com inflamação, ou não melhorar após 6 meses, é importante investigar outras causas, como alopecia androgenética, alopecia areata ou doenças autoimunes.
Outros fatores que podem agravar a queda
Pacientes em uso de GLP-1, frequentemente, têm outros fatores que podem somar ao eflúvio:
- Deficiência de ferro: a perda de peso e a restrição alimentar podem reduzir os estoques de ferritina, um dos maiores inimigos do cabelo.
- Deficiência de zinco e outros micronutrientes: essenciais para o ciclo capilar.
- Hipotireoidismo: pode coexistir e, assim, contribuir para a queda.
- Estresse emocional: comum no período de adaptação ao novo estilo de vida.
- Alopecia androgenética subjacente: pode, portanto, ser “revelada” pelo eflúvio.
O que fazer: tratamento da queda de cabelo em pacientes GLP-1
O tratamento, nesses casos, é multifatorial:
1. Avaliação laboratorial completa
Primeiramente, é necessária a dosagem de ferritina, ferro sérico, hemograma, TSH, T4 livre, vitamina D, zinco, vitamina B12, perfil hormonal e outros exames. Afinal, sem saber o que está faltando, não há tratamento eficaz.
2. Adequação proteica
Além disso, a ingestão de proteína deve ser mantida mesmo com a redução do apetite. Para isso, o acompanhamento com nutricionista é fundamental.
3. Suplementação direcionada
De acordo com os exames, pode ser indicada suplementação de ferro, zinco, biotina, vitamina D e complexo B. Contudo, isso nunca deve ocorrer por automedicação, pois o excesso de alguns nutrientes também pode piorar a queda.
4. Tratamentos tópicos e procedimentos capilares
Dentre os tratamentos capilares mais comuns, estão:
- Minoxidil: é medicamento e, como tem efeitos colaterais, deve ser sempre indicado por prescrição médica
- Mesoterapia capilar: microinjeções com nutrientes no couro cabeludo
- Laser de baixa potência: estimula folículos em repouso
- Bioestimuladores capilares: PRF ou Regenera Activa
5. Paciência e monitoramento
O eflúvio telógeno, tipicamente, melhora em 6 a 12 meses, caso o fator causador seja controlado. Assim, o tratamento acelera a recuperação e evita que o quadro se prolongue.
Devo parar o Mounjaro por causa da queda de cabelo?
Não necessariamente. A decisão de continuar ou pausar o agonista de GLP-1 deve ser tomada em conjunto com o médico prescritor (endocrinologista ou clínico) e a dermatologista. Na maioria dos casos, a queda é temporária, e o benefício metabólico do medicamento supera esse efeito colateral. Portanto, o importante é tratar as deficiências nutricionais e acompanhar a evolução.
Quando procurar a dermatologista
Procure avaliação se:
- A queda for intensa ou persistir por mais de 6 meses
- Houver queda em placas ou assimétrica
- O couro cabeludo apresentar inflamação, descamação ou coceira
- Você notar afinamento das sobrancelhas ou de outros pelos
- Existir histórico familiar de alopecia androgenética
Perguntas Frequentes sobre Queda de Cabelo e agonista de GLP-1
O cabelo volta após a queda causada pelo Mounjaro?
Na maioria dos casos, sim. Isso porque o eflúvio telógeno é reversível. Com tratamento adequado das deficiências nutricionais e controle do estresse metabólico, o cabelo tende a recuperar sua densidade em 6 a 12 meses.
Quanto tempo demora para a queda aparecer após o início do agonista de GLP-1?
Geralmente, entre 2 e 4 meses após o início do medicamento ou da perda de peso acelerada.
Qual exame devo pedir para investigar a queda de cabelo?
A avaliação completa inclui ferritina, ferro, hemograma, TSH, T4 livre, vitamina D, zinco, B12, perfil hormonal e, dependendo do quadro clínico, outros exames complementares.
Posso tomar biotina para resolver a queda?
Suplementar biotina sem indicação não produz resultado e, além disso, pode interferir em exames laboratoriais.
A Clínica Pellier trata queda de cabelo por agonista de GLP-1?
Sim. A Clínica Pellier em Brasília tem equipe multidisciplinar (dermatologia, endocrinologia e nutrição) para avaliar e tratar pacientes com queda de cabelo associada ao uso de agonista de GLP-1 e à perda de peso.
Agende sua avaliação na Clínica Pellier
Se você está usando Mounjaro, Ozempic, Victoza, Wegovy, Saxenda, Trulicity ou outro agonista GLP-1 (tirzepatida, semaglutida, liraglutida, dulaglutida ou o futuro retatrutida) e percebeu aumento na queda de cabelo, não espere para buscar avaliação. Afinal, quanto antes o diagnóstico e o tratamento, menor o impacto no volume capilar.
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